Repensando o sistema: uma visão da IA que prioriza o aluno além da tecnologia convencional

fundo bege com elementos coloridos, roxo e mostarda, ao centro dois balões de fala

Por Aviv Weiss, equipe de Perceiros da Khan Academy

Contexto

Quando Jeff Oldfield transicionou de uma carreira de 14 anos na Apple para a educação pública, ele trouxe mais do que experiência no setor — ele trouxe um novo conjunto de perguntas. 

Agora, atuando como Diretor Executivo de Inovação e Vantagem Competitiva no Departamento de Educação do Condado de Riverside (RCOE), Califórnia, EUA, Oldfield está colaborando com educadores inovadores em uma das maiores cidades da Califórnia para reimaginar o aprendizado juntos.

Nesta conversa abrangente, Jeff fala abertamente sobre as falhas da tecnologia educacional convencional, sua visão para uma IA centrada no aluno e como Riverside está usando o Khanmigo para criar ambientes de aprendizagem mais equilibrados — especialmente para alunos em educação alternativa e em contexto de lares adotivos temporários.

Entrevista com Jeff Oldfield

Aviv: Como a sua trajetória te levou a repensar o papel da tecnologia na educação?

Jeff: Minha carreira inteira foi focada em explorar como a tecnologia pode transformar sistemas. Quando entrei na educação, percebi um padrão. A maioria das ferramentas de edtech responde à pergunta: 

“Como posso fazer o que já faço, só que mais rápido?”. Isso é eficiência. Mas acho que essa é a pergunta errada.

A verdadeira pergunta deveria ser: “O que eu posso fazer agora que nunca foi possível antes?”. É aí que a inovação real acontece. 

Infelizmente, poucas pessoas na educação estão fazendo essa pergunta.

Diferencial da IA da Khan Academy, o Khanmigo

Aviv: E o que chamou sua atenção na Khan Academy e no Khanmigo?

Jeff: Analisamos muitas ferramentas. A maioria delas depende do professor para criar o espaço onde a IA é usada. 

Mas isso reforça as mesmas limitações que sempre tivemos, um professor para 30 crianças, tentando diferenciar o ensino para cada uma delas.

O Khanmigo é diferente. Ele permite que os alunos interajam diretamente com um tutor de IA. Não é apenas uma ferramenta que os professores usam para “empurrar” conteúdo. É um parceiro para quem está aprendendo.

Imagine um aluno trabalhando em um projeto de montanha-russa de papelão e precisando de ajuda para escrever uma apresentação. Ele abre o Khanmigo e diz:

“Pode me ajudar a expressar o que eu construí?”. Isso aconteceu em nossas escolas. E foi transformador. O aluno nunca teria escrito ou apresentado algo daquele nível sem esse apoio. Essa é a magia.

Aviv: O que significa “foco no aluno”, na prática?

Jeff: Significa remover as barreiras artificiais de níveis escolares e tempo de permanência em sala. Uma criança de 10 anos deveria poder estudar álgebra se estiver pronta, e não se sentir estranha por isso. 

Da mesma forma, se um aluno tem dificuldade com a matemática básica, ele deve receber a ajuda necessária sem estigmas.

O Khanmigo apoia isso porque responde a onde o aluno está, e não onde o sistema diz que ele deveria estar.

No futuro, eu adoraria ver um botão na Khan Academy para o “modo de maestria real”, onde o conteúdo é apenas conteúdo, e a idade é irrelevante. 

Ainda não chegamos lá, mas a Khan Academy é o que mais se aproxima dessa visão.

Aviv: Como vocês estão utilizando isso na educação alternativa?

Jeff: A educação alternativa em Riverside funciona como as antigas escolas de uma sala só. Do 7º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio na mesma sala.

Não é apenas desafiador, é impossível fazer uma diferenciação pedagógica eficaz sem tecnologia.

Usamos a Aprendizagem Baseada em Projetos (PBL). Assim, o aluno não fica apenas preenchendo folhas de exercícios repetitivos. Eles estão construindo coisas, apresentando, criando. 

Mas precisam de suporte ao longo do caminho. É aí que entra o Khanmigo.

Ele permite que cada aluno avance de forma independente, peça ajuda quando precisar e se sinta apoiado, mesmo que o professor não possa intervir imediatamente. 

A IA não se cansa. Ela não julga. Ela está ali apenas para ajudar.

Como o professor se encaixa nesse modelo

Aviv: Qual é o papel do professor nesse modelo?

Jeff: Acredito que os professores se tornam designers de experiências. Trata-se menos de entregar conteúdo e mais de configurar o ambiente onde a aprendizagem acontece.

Pense nos melhores treinadores ou mentores que você já teve. Eles não eram apenas especialistas, eram “articuladores”. 

Eles sabiam quem você era e ajudavam você a se colocar na situação certa para crescer.

Os professores podem fazer o mesmo — facilitar a colaboração, incentivar a curiosidade e guiar os alunos em direção a problemas que valem a pena ser resolvidos. 

Se a IA puder lidar com o básico, isso libera os professores para passarem mais tempo ajudando os jovens a se tornarem a melhor versão de si mesmos.

Aviv: Você fala muito sobre começar pelos alunos mais desassistidos.

Jeff: Com certeza. Não queremos projetar soluções apenas para crianças que já têm tudo. Vamos resolver primeiro para os casos mais difíceis – como para alunos que foram expulsos ou que não têm acesso consistente à escola – e depois escalar o que funciona.

É como o desenho universal. Se você constrói uma rampa na calçada para cadeiras de rodas, você também facilita a vida de quem usa carrinhos de bebê e bicicletas. 

É por isso que estamos começando com jovens em acolhimento familiar e escolas comunitárias de permanência. Se o Khanmigo funcionar ali, funcionará em qualquer lugar.

Aviv: Qual é o próximo passo?

Jeff: Nosso superintendente está focado em dar a cada criança de Riverside uma vantagem competitiva. Tutoria por IA, aprendizagem diferenciada, progresso baseado em maestria — essas são as peças desse quebra-cabeça. 

O Khanmigo não é a imagem completa, mas é uma parte fundamental dela. 

O trabalho agora é continuar expandindo nossa “comunidade de entusiastas” — professores e diretores que estão prontos para construir essa nova visão conosco.

Aviv: Vocês também estão comandando um programa para jovens em lares adotivos temporários?

Jeff: Sim. Este é um dos projetos que mais me entusiasma. Fizemos uma parceria com o Distrito Escolar de Temecula Valley para dar a 22 jovens em acolhimento familiar um iPad e acesso ao Khanmigo e à Khan Academy — nada mais.

Por quê? Porque esses alunos costumam mudar de escola sete ou oito vezes por ano. Currículos diferentes. Livros didáticos diferentes. 

Nenhuma consistência. Com o Khanmigo, eles têm um companheiro constante — um tutor que está sempre lá, independentemente do distrito em que estejam. 

Se eles caírem em uma nova aula de matemática no meio do semestre, podem dizer: “Khanmigo, não sei como fazer isso”, e obter a ajuda de que precisam naquele exato momento.

É assim que trazemos equidade. Não baixando a régua, mas dando às crianças ferramentas que viajam com elas.

Considerações Finais

A história de Riverside ainda está sendo escrita, mas o que está claro é que Oldfield e a equipe do RCOE estão fazendo as perguntas certas: 

não como tornar a escola mais eficiente, mas como torná-la fundamentalmente melhor. Para cada aluno.

“Aprender é muito mais divertido quando o conteúdo é relevante, quando você pode ser curioso e avançar no seu próprio ritmo”, diz Jeff. “Não é algo complexo; é o básico bem feito.”

O Departamento de Educação do Condado de Riverside é um dos parceiros na Khan Academy para Redes  para criar um impacto em maior escala.

Entre em contato conosco para conversarmos sobre a implementação estratégica da IA para a aprendizagem em sua rede de ensino.

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