
Escrito por Jake Kelly, que leciona artes visuais e midiáticas no Brophy College Preparatory em Phoenix, Arizona, EUA,desde 2016. Jake possui mestrado em Currículo e Instrução pela Grand Canyon University e é co-criador da newsletter Mindful AI for Education.
Relato de uso do Khanmigo na educação
Jonathan Haidt, autor de A Geração Ansiosa, por meio do lançamento de seu livro em 2024, iniciou uma conversa sobre os efeitos dos celulares e das redes sociais na saúde mental dos jovens.
Em uma conversa recente em um podcast, Haidt fez uma breve menção à Khan Academy e, especificamente, à sua ferramenta de IA, o Khanmigo. Ao diferenciar o uso de certas ferramentas por crianças no ambiente escolar, ele afirmou:
“A Khan Academy utiliza a IA de forma excelente. Se existisse um dispositivo dedicado exclusivamente à Khan Academy, acredito que isso teria um impacto positivo na educação.”
Jonathan Haidt, no The Ezra Klein Show.
Uso ferramentas de IA com frequência em minha prática docente, tanto para fins próprios quanto como parte das aulas.
Ouvi essa conversa com Haidt e, poucos dias depois, nossa escola — a Brophy College Preparatory — teve a sorte de receber a visita da Diretora de Aprendizagem da Khan Academy, a Dra. Kristen DiCerbo.
Diante de todo esse contexto, eu estava ansioso para entender como a Khan Academy estava se adaptando ao avanço da IA nas salas de aula.
Em sua apresentação, a Dra. DiCerbo dedicou um tempo discutindo como a tecnologia evoluiu e continua a evoluir.
Ela abordou preocupações comuns sobre o papel dos professores em um mundo de tutores de IA.
Mergulhou em detalhes práticos e técnicos de como o Khanmigo, o tutor de IA deles, funciona.
Em algum momento entre a explicação sobre prompt, estruturas baseadas em evidências e padrões éticos, me vi genuinamente grato pela existência da Khan Academy.
Para aqueles que ainda não experimentaram o Khanmigo, recomendo seriamente que o façam para perceber a diferença em relação a modelos generalistas, como o ChatGPT.
Há muito trabalho a ser feito na maioria das ferramentas de IA — incluindo o Khanmigo — para que elas atinjam todo o seu potencial.
Muitas delas ainda ‘alucinam’ fatos e inventam números na hora. Provavelmente é cedo demais para termos mais do que um ou dois casos de uso de IA na educação que sejam universalmente reconhecidos e indiscutivelmente eficazes.
Dito isso, como alguém que já utilizou todos os recursos de IA que conseguiu encontrar — e que aplicou muitos deles em sua própria sala de aula.
Passei a valorizar a profundidade do pensamento empregado pelos desenvolvedores, formuladores de políticas e educadores da Khan Academy.
Ao meu ver, eles criaram um sistema de ferramentas que faz algo que professores e escolas, isoladamente, muitas vezes não conseguem:
navegar em um cenário ético incrivelmente complexo e em rápida evolução de recursos educacionais poderosos.
Analisando por partes, a IA é um recurso educacional impressionante. A Dra. DiCerbo defendeu que a IA deve ser uma ferramenta de apoio à educação, e é difícil imaginar que não haja espaço para as funcionalidades que o Khanmigo torna amplamente acessíveis.
Se um aluno deseja compreender um conteúdo no seu idioma de maior domínio e a IA pode proporcionar isso, acredito que devemos oferecer essa ferramenta a ele.
Em minha própria sala de aula, ouvi alunos com diagnóstico de TDAH descreverem como as ferramentas de IA os ajudaram a priorizar seu foco e a retomar tarefas importantes.
Se o Khanmigo pode ajudá-los nisso, quero que o utilizem para esse fim.
Diferenciais observados na experiência do professor
Também apreciei o fato de a Khan Academy parecer estar tentando preencher a lacuna entre os métodos de ensino tradicionais e os potencializados por IA.
Especialmente diante da velocidade impressionante com que vemos as empresas de IA operarem.
Sei que muitos professores prefeririam um mundo onde partes de seu trabalho — criar bancos de questões, desenvolver atividades, simplificar instruções — fossem apenas mais fáceis.
Ferramentas de IA generalistas podem fazer essas coisas, mas os professores nem sempre têm o desejo.
O tempo ou os recursos para aprender do que os modelos mais recentes são capazes ou como manipulá-los.
O Khanmigo pode ajudar a facilitar essa transição, o que é algo positivo para aqueles de nós que acreditam que não há como voltar a um mundo sem ferramentas de IA nas salas de aula.
Por fim, é evidente que a IA existe em um cenário ético delicado. Situando-se em algum lugar entre processadores de texto e redes sociais, a IA está claramente capturando a imaginação dos estudantes.
E nem sempre da maneira idealizada, acadêmica e do tipo ‘todos têm um tutor no bolso’.
Precauções da Khan Academy no desenvolvimento da IA
Apreciei o fato de a Dra. DiCerbo ter abordado como a Khan Academy utiliza marcos teóricos (como o do Institute for Ethical AI in Education) para orientar sua reflexão sobre a ética e os riscos da IA na educação.
Às vezes, sinto-me limitado por ferramentas de IA que carecem de fundamentos éticos educacionais para considerar a privacidade dos alunos ou qualidades fundamentais de aprendizagem, como a resiliência;
Por isso, é revigorante ver a Khan Academy servindo como modelo para empresas que tentam criar ferramentas para professores.
É revigorante — e necessário — ver uma plataforma como a Khan Academy não apenas adotar a IA, mas fazê-lo com cuidado, ética e clareza de propósito.
A apresentação da Dra. DiCerbo me deixou com um sentimento de otimismo cauteloso: não de que as perguntas difíceis já foram respondidas, mas de que as pessoas certas estão tentando formulá-las.
Em sala de aula, precisamos de ferramentas que possam ser escaladas sem diminuir as relações entre professor e aluno. Precisamos de suportes pedagógicos, não de atalhos. A Khan Academy parece entender isso.
Sou grato pelo trabalho da Khan Academy. Após a visita da Dra. DiCerbo à nossa escola, continuo acreditando que a IA pode ajudar bons educadores a realizarem seu trabalho de forma mais criativa, mais eficiente — e ética.
Também sinto, mais do que nunca, que quando as ferramentas são criadas por equipes que ouvem pesquisadores, professores, especialistas em ética — e, o mais importante, alunos —, elas não substituem a relação professor-aluno; elas ajudam a preservá-la sob novas formas.



