
Quando Phil Misecko, Superintendente Assistente da Hanover, fala sobre o projeto-piloto da Khan Academy na Hanover Community School Corporation, ele não começa falando de tecnologia. Ele começa falando dos alunos.
“Nossos alunos do ensino médio estavam super empolgados com a competição”, disse ele em um webinar recente. “Os professores ouviam os estudantes dizerem uns aos outros: ‘Ei, você precisa fazer a sua parte. Eu quero ganhar essa Competição de Gemas.’ Não há nada melhor do que o reforço positivo e a motivação entre os próprios jovens.”
Para lideranças educacionais como Misecko, esse foi um sinal crucial. Os alunos estavam praticando, acompanhando o próprio progresso e incentivando uns aos outros a continuar.
A Khan Academy não estava sendo apenas utilizada; ela estava se tornando parte da cultura escolar.
Isso é o que as nossas redes parceiras ajudaram a moldar: uma experiência da Khan Academy construída em torno da realidade da prática em sala de aula.
Os gestores educacionais não precisam de mais uma ferramenta disputando tempo na rotina escolar. Eles precisam de algo que se adapte à forma como as salas de aula já funcionam, oferecendo aos professores diagnósticos mais claros e aos alunos mais oportunidades para praticar, receber ajuda e continuar avançando.
Como o fundador e CEO da Khan Academy, Sal Khan, disse no mesmo webinar: “Para todos os secretários e superintendentes que estão nos ouvindo, se vocês ainda não estão vendo isso acontecer, é porque ainda não fazem parte de uma rede parceira. Esta nova Khan Academy será lançada para todas as redes e professores”.
Esse lançamento reflete mais de um ano de trabalho conjunto com redes de ensino, professores e alunos. Juntos, eles nos ajudaram a entender como deve ser a prática assistida por IA em salas de aula reais: simples de usar, integrada à instrução, visível para os professores e motivadora para os estudantes.
Por que voltamos para a sala de aula
Nossa primeira versão de integração da IA na Khan Academy, lançada em março de 2023, nos ensinou muito. Então, em janeiro de 2025, analisamos nossos dados com profundidade e tomamos uma decisão: reconstruir a Khan Academy e o Khanmigo do zero.
O objetivo não era desenvolver IA simplesmente porque a tecnologia é empolgante. O objetivo era ajudar os alunos a aprender.
Como disse Sal Khan: “Nosso principal objetivo na Khan Academy é melhorar os resultados acadêmicos, conforme medidos por avaliações formativas e exames oficiais. Essa é a nossa meta número um”.
No ano letivo de 2025–2026, realizamos o projeto-piloto desta nova versão da Khan Academy com cerca de 5.100 alunos em cinco redes de ensino nos Estados Unidos. Entre as redes parceiras estavam a Taft ISD, no interior do Texas, e a Hanover Community School Corporation, em Indiana.
Essas redes parceiras não foram apenas “testadoras” da versão beta. Elas foram co-construtoras.
Suas salas de aula nos ajudaram a enxergar o que os alunos, professores e gestores educacionais mais precisavam: práticas alinhadas ao conteúdo dado em aula, ajuda imediata quando os alunos ficassem travados, formas simples para os professores recomendarem e monitorarem as atividades, e visibilidade suficiente para que as redes pudessem acompanhar se a constância de estudo estava se consolidando ao longo do tempo.
Três lições moldaram essa nova experiência.
1. A tutoria por IA deve ser integrada à prática, e não algo separado dela.
No primeiro ano após o lançamento do Khanmigo, uma coisa ficou clara rapidamente: o Khanmigo não podia parecer uma ferramenta de IA isolada que os alunos precisavam se lembrar de abrir.
Se os estudantes tivessem que parar o que estavam fazendo e iniciar um chat separado para pedir ajuda, muitos continuariam apenas chutando as respostas, ficariam travados ou simplesmente desistiriam de praticar.
Por isso, reformulamos o Khanmigo para fazer parte da própria atividade de prática.
O Khanmigo precisava aparecer exatamente quando os alunos já estavam trabalhando — quando ficavam travados, quando cometiam um erro ou quando precisavam de ajuda para entender qual caminho seguir. Ele também precisava apoiar os alunos sem fazer o trabalho por eles.
Uma das primeiras regras que definimos ao criar o Khanmigo foi a de que ele nunca deveria dar a resposta pronta aos alunos. Essa regra nasceu de uma boa intenção: queríamos que os estudantes pensassem, tentassem, raciocinassem e passassem pelo processo do esforço produtivo.
No entanto, os alunos em sala de aula nos ajudaram a perceber que essa regra precisava de mais nuance.
Percebemos que, antes de o aluno enviar uma resposta, o Khanmigo deve incentivar a tentativa e oferecer dicas sutis. Já depois que o aluno erra, o suporte pode ser mais direto.
Nesse momento, é mais útil que o Khanmigo analise o passo a passo da resolução, explique o que aconteceu e ajude o aluno a se recuperar antes que o erro se transforme em um vício de aprendizado.
Phil descreveu o problema com clareza: “Quando as crianças iam para casa e praticavam matemática do jeito errado, era preciso sete vezes mais esforço para apagar aquele hábito ruim e ensiná-las de novo… Com o Khanmigo, os alunos não praticam matemática errado. A ferramenta não deixa isso acontecer. É um tutor pessoal que faz essa jornada junto com eles”.
2. Os educadores precisam de dados que permitam ações rápidas.
Professores e gestores já deixaram claro que mais dados nem sempre significam dados melhores. O que eles precisam são de informações que consigam entender rapidamente e usar de imediato.
Nos projetos-piloto, os professores não queriam ter que juntar informações espalhadas para descobrir quem havia praticado, quem estava travado, quais habilidades precisavam de atenção ou se os alunos estavam dando conta do trabalho semanal.
Eles precisavam de um painel que respondesse a perguntas práticas do dia a dia da sala de aula, como: Quem precisa de ajuda hoje? Qual turma está no ritmo certo? Quais alunos estão ficando para trás? O que devo fazer a seguir?
Já os gestores precisavam de um painel para visualizar tendências entre professores, escolas e turmas; identificar onde a implementação estava forte ou irregular; e apontar as áreas onde o suporte ou uma mentoria pedagógica fariam a maior diferença.
Na nova versão da Khan Academy, os painéis para professores e gestores ajudam os educadores a transformar informações dispersas em próximos passos claros.
Eles conseguem focar por semana, professor, escola, turma ou aluno. Conseguem enxergar padrões de uso e progresso. E podem usar essas informações para ajustar o ensino antes que uma lacuna de aprendizado aumente.
“Gosto de como os painéis permitem focar por semana, por professor, por turma — e dá para ver a correlação de quem está usando mais”, disse Mercy Acart, Diretora de Análise de Dados da Christopher Columbus High School.
“Posso ir até aquele professor-alvo e pedir para ele compartilhar suas boas práticas. Como você está conseguindo fazer com que 80% ou 90% dos seus alunos usem a Khan Academy? É melhor ouvir isso de um colega professor do que de um gestor que não está usando o programa no dia a dia.”
Esse tipo de visibilidade ajuda os professores a decidir se devem retomar um conceito, reunir um pequeno grupo de alunos para reforço, recomendar mais prática ou seguir em frente com o conteúdo.
Também ajuda os líderes escolares e das redes de ensino a ver onde rotinas sólidas estão se consolidando e como essas práticas podem ser replicadas.
Os projetos-piloto reforçaram uma crença fundamental: a IA deve apoiar o julgamento do professor, e não substituí-lo.
O Khanmigo pode ajudar os alunos naqueles momentos em que o professor não consegue estar ao lado de cada estudante ao mesmo tempo. O painel ajuda os professores a ver onde sua atenção é mais necessária.
Para os gestores das redes de ensino, essa é a diferença entre uma ferramenta que apenas gera relatórios e uma ferramenta que apoia a instrução.
Os professores continuam no banco do motorista — eles apenas passam a receber sinais mais claros e mais rápidos.

3. Os alunos mantêm o ritmo quando o caminho é visível.
Os projetos-piloto também nos mostraram que ter acesso às atividades práticas não é o mesmo que concluí-las.
Os alunos precisam saber o que fazer, qual é o prazo de entrega, quanto progresso já fizeram e por que vale a pena continuar. Sem essa estrutura, até mesmo excelentes recursos de aprendizagem podem parecer apenas uma longa lista de opções.
Com ela, a prática se transforma em uma trilha que os estudantes conseguem seguir.
É por isso que a nova versão da Khan Academy oferece aos alunos uma trilha de aprendizagem mais clara. Eles conseguem ver suas tarefas organizadas em uma fila, sabem os prazos e entendem o que vem a seguir.
Indicadores de progresso, comemorações de conclusão, Gemas, confetes e recompensas na sala de aula dão aos estudantes sinais visíveis de que seu esforço está gerando resultados.
Um aluno da rede de Taft descreveu claramente o valor dessa organização: “Gosto do fato de que [a trilha de aprendizagem] é bem fácil de usar. Ela te dá o passo a passo para concluir a tarefa da semana e mostra todas as atividades. É muito organizada”.
Outro estudante comentou sobre o fator motivacional: “Eu gosto dos confetes no final e de ver escrito ‘concluído’. Isso me faz sentir especial. Fico empolgado para usar a plataforma. É muito animador”.
Gemas, confetes e recompensas não são o objetivo final. O aprendizado é o objetivo. No entanto, a motivação ajuda os alunos a continuarem praticando pelo tempo necessário para alcançarem o domínio do conteúdo.
Para os professores e redes de ensino, essa estrutura torna a prática mais fácil de ser recomendada, monitorada e sustentada. Os alunos sabem para onde estão indo. Os professores conseguem ver a evolução deles. E os gestores das redes podem acompanhar se a rotina de estudos está se consolidando.

O que vem a seguir
Os projetos-piloto nos lembraram que cada rede de ensino é única, e o que mais importa é se os professores conseguem enxergar valor em suas próprias salas de aula.
Uma professora de Língua Portuguesa do ensino fundamental II na rede de Taft ISD explicou dessa forma: “Eu sei que nem todos os alunos estão no mesmo nível; alguns acabam ficando para trás.
Eu preciso seguir em frente com o meu currículo regular, então saber que posso voltar e focar naquelas habilidades específicas me deixa mais tranquila. Sei que eles estão aprendendo e não preciso parar a turma toda para ensinar tudo de novo”.
Phil descreveu como a confiança pode se espalhar: “Você precisa encontrar professores que não tenham medo da IA. Coloque alguns desses professores para usá-la, veja os resultados e eles começarão a compartilhar”.
Phil afirma que, quando as notas sobem, os outros professores perguntam como eles conseguiram aquilo. “E isso começa a crescer e a se espalhar por toda a rede de ensino”, disse ele.
A transformação da plataforma
Agora no meio do ano, todas as redes parceiras da Khan Academy terão acesso à experiência que as redes piloto ajudaram a moldar. Isso inclui trilhas de aprendizagem mais claras, suporte proativo do Khanmigo, painéis reformulados para professores e gestores, e recompensas em sala de aula que ajudam a manter os alunos motivados.
A segurança, a moderação e a qualidade do conteúdo que as redes de ensino esperam da Khan Academy continuam sendo o pilar central.
O que está mudando é a forma como essas peças trabalham juntas — os alunos sabem qual é o próximo passo, o Khanmigo os apoia quando ficam travados, os professores conseguem agir com base nos dados de progresso e as redes podem acompanhar se a prática está se tornando parte da rotina de aprendizagem.
Alunos de redes parceiras que usam a Khan Academy têm seis vezes mais chances de atingir os níveis de prática recomendados do que os estudantes que aprendem de forma independente.
A prática não é toda a história da aprendizagem. Os professores, o currículo, os vínculos e o contexto escolar desempenham, todos, um papel fundamental. No entanto, uma prática consistente e assistida oferece aos alunos mais oportunidades para construir o domínio do conteúdo ao longo do tempo.
“A nova versão da Khan Academy é diferente de qualquer outra ferramenta”, afirmou Christina Insua, Diretora de Corpo Docente na Christopher Columbus High School.
“Algumas ferramentas focam em exercícios práticos, outras em vídeos. Mas a melhor parte da nova Khan Academy é que ela une tudo. Você tem os vídeos, as perguntas, as ferramentas de IA do Khanmigo — tudo em um único lugar de confiança que alunos e professores podem usar para personalizar a aprendizagem.”
Os projetos-piloto foram um esforço colaborativo entre nós e todos os educadores, alunos e lideranças que ajudaram a moldar o que a Khan Academy está se tornando.
É assim que acreditamos que a IA para a educação deve ser construída — em conjunto com as salas de aula, com base em evidências e com professores e alunos no centro de tudo.

